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Julgamento Estelar: o que faz uma obra ser chamada de obra-prima
Por Marcos Antonio

Julgamento Estelar: o que faz uma obra ser chamada de obra-prima

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Três títans no tribunal, cada um defendendo uma filosofia diferente sobre o que faz uma obra entrar para o panteão.

 

A pergunta não é qual é a melhor

 

É mais específica que isso: o que exatamente estamos medindo quando chamamos algo de obra-prima? A jornada? O desfecho? A consistência entre os dois? Cada um dos três réus deste tribunal defende uma resposta diferente — e as três são defensáveis.

 

RéuA tese que ele sustentaA pergunta que ele obriga a responder
Attack on TitanA jornada vale mais que o destinoUma caminhada quase perfeita pode ser manchada por um final que dividiu a base?
Code GeassO desfecho pode redimir o caminhoUm final lendário apaga sozinho os altos e baixos que vieram antes?
Fullmetal Alchemist: BrotherhoodSó a harmonia entre os dois contaSe consistência é o critério, todo o resto é apenas “quase lá”?

 

Attack on Titan: anos de construção impecável

 

Construção de mundo impecável, mistério que paralisou a internet, reviravoltas geniais e uma animação que definiu uma geração. Como jornada, é difícil argumentar contra: dez de dez.

 

E aí veio o final do mangá, que dividiu a base de fãs como poucas obras conseguiram. A questão que sobra é se anos de excelência podem ser retroativamente contaminados por um desfecho — ou se cada parte deveria ser julgada pelo que entregou enquanto durou.

 

Code Geass: o caso oposto

 

Uma série com altos e baixos evidentes e um protagonista complexo, por vezes questionável. Mas o final — o Zero Requiem — é universalmente aclamado como um dos desfechos mais perfeitos, inteligentes e catárticos que o meio já produziu.

 

Se um final pode elevar sozinho tudo o que veio antes, então o critério de julgamento é o último ato, e a jornada é apenas preparação. É uma tese forte, e ela desconforta justamente por isso.

 

Fullmetal Alchemist: Brotherhood, a exceção à regra

 

Jornada fantástica, desenvolvimento de personagens consistente do primeiro ao último episódio e um final amplamente aclamado que amarra todas as pontas de forma satisfatória. Não existe trecho fraco para desculpar nem final para justificar.

 

Se a harmonia entre jornada e final for mesmo o único caminho para o panteão, os outros dois casos viram apenas “quase lá” — e essa é uma sentença bem mais dura do que parece.

 

 

O veredito é seu

 

Não existe resposta técnica aqui, e é essa a graça. O que existe é a obrigação de declarar o critério antes de declarar o campeão — porque quase toda discussão sobre obra-prima é, no fundo, uma discussão sobre régua, não sobre obra.

 

Marcos Antonio

Caminha sempre um passo atrás do protagonista e dois à frente do perigo. Entre batalhas, teorias e maratonas de anime, busca provar que todo rival merece seu próprio arco de redenção.