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Gachiakuta: rejeição não é laudo, e descarte não define valor
Por Marcos Antonio

Gachiakuta: rejeição não é laudo, e descarte não define valor

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Contam pra gente que nosso valor diminui quando alguém nos rejeita. Rudo foi jogado no fundo do poço — literalmente — e provou o contrário.

O descarte diz mais sobre quem descarta

Gachiakuta trabalha com uma imagem bem direta: uma sociedade que joga fora o que considera sem valor, e um garoto que é jogado junto. A obra não perde tempo tentando provar que houve injustiça. Ela vai para a pergunta mais interessante: o que sobrevive lá embaixo?

E o que sobrevive é o oposto do esperado. Aquilo que foi descartado continua funcionando, continua tendo uso, continua tendo potência. O que falhou não foi o objeto. Foi o critério de quem avaliou.

Rejeição como informação, não como veredito

Toda rejeição carrega duas informações: algo sobre você e algo sobre o critério aplicado. A gente costuma absorver só a primeira, e ela quase nunca é a mais relevante.

Uma vaga negada, um convite não feito, uma relação encerrada — em todos esses casos existe um critério por trás, e esse critério tem um autor, um contexto e um interesse. Tratar o resultado como se fosse uma medição objetiva do seu valor é dar a um julgamento parcial o status de laudo.

Eu rejeito tudo o que você disse. E eu abraço tudo o que você rejeita.

~ Rudo · Gachiakuta, cap. 16

O poder vem justamente do que desprezaram

A mecânica central da obra é elegante: a força vem exatamente daquilo que os outros jogaram fora. Isso não é só uma imagem bonita. É uma descrição precisa de como muita gente constrói repertório.

As características que te tornaram inadequado em um lugar costumam ser as mesmas que te tornam necessário em outro. Ser difícil de agradar vira exigência técnica. Não desviar do assunto vira foco. O excesso de intensidade vira consistência.

Definido pelo que se constrói

O que o Rudo faz não é provar que o descarte foi errado. É deixar de tratar o descarte como assunto encerrado sobre quem ele é.

Você não é definido pelo abandono. Você é definido pelo que constrói com os pedaços que sobraram — e essa construção não precisa de aprovação de ninguém que já foi embora.

Marcos Antonio

Caminha sempre um passo atrás do protagonista e dois à frente do perigo. Entre batalhas, teorias e maratonas de anime, busca provar que todo rival merece seu próprio arco de redenção.