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Denji e Reze: o luto por um futuro que quase existiu
Por Marcos Antonio

Denji e Reze: o luto por um futuro que quase existiu

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A tragédia do arco não está nas lutas. Está naquele café.

 

A dor do que quase aconteceu

 

Chainsaw Man tem violência de sobra, e ainda assim a cena que machuca é a mais silenciosa: um plano combinado, um lugar marcado, uma vida comum posta na mesa como possibilidade real.

 

O que dói ali não é a perda de alguém. É a perda de uma versão inteira do futuro que chegou a existir como plano — e que morreu antes de virar memória.

 

Por que esse tipo de luto é tão mal atendido

 

Existe um repertório social inteiro para perdas concretas: rituais, frases prontas, prazos informais de recuperação. Para o que quase aconteceu, não existe nada. Ninguém dá pêsames por um futuro.

 

É por isso que essa dor costuma ser vivida sozinha e, muitas vezes, com culpa: a pessoa sente que não tem direito de sofrer por algo que, tecnicamente, nunca chegou a ser dela.

 

 

O que o "e se" faz com a cabeça

 

A mente tem uma tendência incômoda: ela continua simulando o cenário que não aconteceu. E, diferente da realidade, essa simulação não tem atrito, não tem discussão boba, não tem dia ruim. Você compara a sua vida real com uma versão idealizada que nunca precisou funcionar.

 

O futuro roubado é sempre melhor do que qualquer futuro vivido, porque ele nunca teve a chance de decepcionar.

 

 

O que resta

 

A obra não oferece consolo, e faz bem. O que ela oferece é reconhecimento: aquilo era real, valia a pena, e acabou por motivos que não estavam sob controle de ninguém ali.

 

Às vezes é só isso que dá para fazer com esse tipo de perda — parar de tratá-la como bobagem e admitir que era um túmulo de uma felicidade que chegou a existir.

 

Marcos Antonio

Caminha sempre um passo atrás do protagonista e dois à frente do perigo. Entre batalhas, teorias e maratonas de anime, busca provar que todo rival merece seu próprio arco de redenção.