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Bocchi the Rock e o progresso que não precisa ser bonito
Por Marcos Antonio

Bocchi the Rock e o progresso que não precisa ser bonito

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Seu progresso não precisa ser perfeito. Só precisa ser seu.

 

Uma comédia que leva ansiedade a sério

 

Bocchi the Rock é engraçada de um jeito exagerado, quase cartunesco. E é justamente esse exagero que permite à obra mostrar, sem peso, algo que costuma ser tratado com solenidade: o funcionamento interno de uma pessoa que trava em situações sociais banais.

 

A Hitori não é tímida no sentido leve da palavra. Ela é alguém cujo corpo reage a interações comuns como se fossem ameaça. E a série não corrige isso: ela mostra a personagem operando apesar disso.

 

Vitórias pequenas contam como vitórias

 

O arco dela não é uma transformação. É uma sequência de conquistas minúsculas — falar uma frase, sustentar um ensaio, não fugir. Cada uma custa caro e nenhuma é impressionante vista de fora.

 

Essa escolha narrativa é o oposto da fantasia de superação. Não existe o episódio em que ela vira outra pessoa. Existe o episódio em que ela consegue fazer uma coisa que não conseguia, e continua sendo ela.

 

 

Falhar de forma desastrosa também é dado

 

As falhas da Hitori são espetaculares e a obra ri delas — mas nunca faz isso para diminuí-la. O riso é de reconhecimento, não de desprezo. É a diferença entre uma comédia sobre alguém e uma comédia com alguém.

 

O que a série propõe é bem menos ambicioso e bem mais útil do que virar outra pessoa: continuar aparecendo.

 

Seja gentil com você hoje

 

Não como slogan. Como método: quem se pune por cada tentativa mal executada aprende, muito rápido, a parar de tentar. A gentileza aqui é o que mantém o processo funcionando.

 

Marcos Antonio

Caminha sempre um passo atrás do protagonista e dois à frente do perigo. Entre batalhas, teorias e maratonas de anime, busca provar que todo rival merece seu próprio arco de redenção.